segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma dica de livro: Futebol & Guerra, de Andy Dougan

Este livro é uma bela história de um dos mais emocionantes e tristes momento da II Guerra Mundial. É a história da tomada de Kiev pelos Nazista e da resitência dos jogadores do Dínamo ao domínio de Hitler. O livro é fantástico, a narrativa é detalhista, mas leve, o que acaba fazendo da obra uma leitura fácil.

Andy Dougan mostra o que foi a ocupação dos Nazistas em Kiev, na Ucrânia, os horrores praticados em Babi Yar e em Siretz, a morte de quase 40 mil judeus, a deportação de outros tantos milhares de kievanos para trabalho escravo na Alemanha e a consequente redução da população de 400 mil para 80 mil ao final de pouco mais de dois anos de ocupação.

Em meio a esta história está a história do Dínamo de Kiev e seu time formado a partir de 1936 liderado por Nikolay Trusevich, Alexei Klimenko e Makar Goncharenko. Sem emprego, os atletas se juntam a outros de outras modalidades no trabalho em uma padaria. Com o trabalho forma-se a resistência pela bola e pelo futebol. Nasce o FC Start com o que restou do Dínamo e vem o desafio ao time da Luftwaffe. O resultado só no fim do livro... Vale a leitura.

Ficha técnica:

Futebol & Guerra, Andy Dougan
Jorge Zahar Editores
Entre R$ 30,00 e R$ 40,00

Erros e problemas da candidatura Serra

Primeiro: o longo tempo como vitrine. Ninguém se sustenta candidato por quatro anos. Mesmo com os índices nas pesquisas sempre mostrando uma vantagem confortável para José Serra em relação a qualquer candidato apresentado pelo governo, os quatro anos em que permaneceu na vitrine como provável candidato do PSDB à Presidência consumiram a vantagem que o ex-governador de São Paulo tinha. Qual seria a saída? Na verdade essa foi uma encruzilhada em que a própria oposição se meteu. Não havia outros nomes. Aécio Neves seria uma alternativa, mas sem garantia de sucesso.

Segundo: o discurso titubeante de Serra. Tentando passar uma ideia de político experiente (o que realmente é), Serra se repete. A campanha é igual a de 2002. Os projetos são os mesmos e parece que Serra não fez nada, ou praticamente nada, em São Paulo. Parece que o candidato tucano faz campanha para ser ministro da Saúde e não presidente da República. Outro erro estratégico é tentar colar em Lula, inclusive arrumando um imitador do presidente na campanha pelo rádio. O eleitorado sabe que Serra não é o candidato de Lula e que Serra não dará continuidade ao governo Lula. Seria mais eficiente mostrar o que será feito para efetivamente melhorar o país. Continuidade é a Dilma e não o Serra.

Terceiro: a escolha do vice. Ao aceitar a imposição do Democratas que indicou um candidato a vice sem a mínima expressão, o PSDB admitiu que a campanha estava perdida. Pois, se qualquer um pode ser vice, é porque isso já não importa mais. E se não importa mais é porque não acredita numa vitória. Índio da Costa não tem expressão para ser vice-presidente da República. O quê ou quem ele representa? Mesmo o Democrata, um quase ex-partido, tem figuras mais expressivas. Cito o senador Demóstenes Torres, a senadora Kátia Abreu (que tem posições claras, concorde-se com elas ou não), o próprio líder do partido no Senado, José Agripino Maia, ou ainda o ex-vice presidente Marco Maciel. Qualquer um agregaria mais que Índio da Costa. Índio da Costa não foi uma indicação, mas um escárnio. O melhor mesmo teria sido Aécio Neves ou a manutenção de Álvaro Dias ou ainda a indicação de outro nome do PSDB. Uma chapa pura tucana talvez puxasse mais facilmente votos de eleitores que defendem o governo Lula, mas não enxergam em Dilma e Temer uma dupla capaz de governar o país.

Quarto: a popularidade do presidente Lula. Apenas 4% dos entrevistados nas pesquisas afirmam que o governo é ruim ou péssimo, ou seja, 96% da população considera o governo no mínimo regular. Este adversário, no momento em que a campanha é colocada na mesa, torna-se praticamente imbatível. Uma tarefa árdua esta que se meteu o PSDB na campanha 2010. Nem Fernando Henrique Cardoso em 1998 quando garantiu a reeleição em primeiro turno tinha tamanha popularidade. Ao final dos oito anos de FHC, em 2002, o então candidato José Serra tinha no governo que apoiava um peso. Ao contrário, Dilma tem no governo e no presidente Lula o grande avalista de sua suposta capacidade de governar. Suposta sim, porque quem se arrisca a garantir que a ex-ministra tem esta capacidade? Este problema aos poucos foi minando a candidatura de oposição, uma candidatura que se mostrava como sólida, mas que bastou chegar às areias movediças da campanha eleitoral para mostrar que seus alicerces são frágeis. Candidatos de partidos de oposição custam a admitir que apoiam Serra. Escondem o nome do candidato como que não querendo comprometer-se.

Quinto: a polarização da campanha. O confronto direto entre Dilma e Serra está se mostrando melhor para a candidata do governo. A terceira opção, Marina Silva (PV), não se mostrou viável a ponto de assegurar, pelo menos até agora, um segundo turno. De início, a tentativa de polarizar a eleição tão defendida por Lula parecia beneficiar Serra, mas o presidente mostrou que tinha uma visão de longo prazo correta. Tirar Ciro Gomes da disputa facilitou a vida de Dilma. Os votos do ex-ministro que de início tendiam a José Serra, parecem ter migrado para Dilma Rousseff.

A síntese da eleição está em Pernambuco. Lá, o candidato à reeleição Eduardo Campos, do PSB, apoiado pelo governo, tem 70% das intenções de votos nas pesquisas. Jarbas Vasconcellos, do PMDB, que dominou o estado por anos a fio e que de repente virou um defensor da ética no Senado, tem 19%. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, prevendo uma derrota humilhante, sequer candidatou-se à reeleição. E, por último, Marco Maciel, do DEM, também senador, tenta a reeleição em uma briga ferrenha com Armando Monteiro Neto, do PTB. Talvez Marco Maciel seja a única vitória da oposição no estado. Quem lidera a disputa para o Senado em Pernambuco? Humberto Costa, ex-ministro da Saúde do governo Lula.

Tudo isso somado leva ao que estamos prestes a ver. Uma virada nas pesquisas indicando que a eleição será definida ainda no primeiro turno. Nem Lula conseguiu esta façanha. Mas, e sempre há um mas em política, ainda falta um mês e meio para a eleição e até lá as coisas podem mudar. Afinal, como dizia Magalhães Pinto, política é como as nuvens, uma hora estão num lugar, noutra em outro.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PT de São Paulo antecipa a campanha com Lista Fechada

PT-SP tira deputados de propaganda e prega voto em legenda


Estratégia é usar tempo dos programas para explorar imagens de Lula, Dilma, Mercadante e Marta como puxadores de votos


DANIELA LIMA
FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO


O PT de São Paulo decidiu que o espaço reservado na propaganda eleitoral a candidatos a deputado federal e estadual será usado para pedir votos na legenda.
Com isso, os petistas explorarão ao máximo o potencial do maior puxador de votos da sigla -o presidente Lula- e reforçarão as campanhas de Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, candidatos à Presidência, ao governo e ao Senado, respectivamente.
O eleitor assistirá a Lula, Dilma, Mercadante e Marta pedindo votos para o número do PT no horário reservado a políticos que disputam vagas na Câmara e na Assembleia.
A mudança, inédita na estratégia de propaganda eleitoral no Estado, foi aprovada ontem em assembleia do partido e teve Edinho Silva, presidente estadual da sigla, como principal articulador.
O PT de São Paulo estima que conseguirá dois milhões de votos na legenda. "É melhor Lula e Dilma pedindo votos na legenda que o [espaço] pingadinho de 25 segundos", defendeu o deputado José Genoino (PT-SP).
O voto na legenda alimenta o potencial das coligações de conseguir cadeiras no Legislativo. A mudança ajudará ainda as campanhas de Mercadante e Dilma.
Lula não aparecerá ao lado deles no horário dos proporcionais, mas pedirá votos para o 13, número de campanha dos dois candidatos.


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O texto acima é da Folha de São Paulo de hoje (03/08) e mostra a estratégia petista para a campanha proporcional no estado de São Paulo para estas eleições. O movimento é inédito pela sua forma, embora o PT tenha se notabilizado na nossa história partidária como o único entre as grandes legendas a valorizar o voto na legenda ao longo das nossas eleições. O ineditismo está no fato de que o partido irá retirar da propaganda no Rádio e na TV os candidatos aos cargos proporcionais (deputados estaduais e federais) e priorizar a indicação do voto no número do partido. A estratégia visa fortalecer na mente do eleitor a associação entre o número do partido, os candidatos majoritários e a importância de se fazer uma bancada no Legislativo vinculada ao Executivo.
 
No entanto, o fato mais interessante desta estratégia (típica de eleições proporcionais mundo afora) é que pela primeira vez um partido fará uma campanha no rádio e na TV como se estivesse trabalhando com uma lista fechada. A mensagem neste tipo de campanha tira o foco do personalismo, do candidato proporcional e enfatiza a importância do partido. O que a cúpula do PT quer dizer é que não importa qual seu candidato a deputado, importa você votar no número (na legenda) do partido. Enfatizando este número na mente do eleitor, o PT ainda tenta fazer uma transferência cruzada de votos. Do presidente Lula para a candidata ao Planalto, deles para o candidato ao governo de São Paulo e de todos para os candidatos ao Legislativo. O caminho inverso também vale, ou seja, o PT quer evitar que um eleitor que vote em um candidato do partido para deputado, vote em um candidato de outro partido para cargos majoritários.

A Lista Fechada é um dos pontos das várias propostas de Reforma Política que estão em análise no Congresso Nacional. É um elemento fundamental para uma representação proporcional mais próxima da ideal. A crítica é que o artifício deixaria os partidos políticos, e a composição das listas, à mercê das cúpulas partidárias. Em um primeiro momento, sim. O que não é enfatizado é que para que isto não ocorra será necessária uma participação maior do eleitor na vida partidária, estimulando a filiação aos partidos políticos e participação em convenções. Na Lista Fechada a disputa se dá intensamente dentro dos partidos para que a composição da Lista reflita a vontade da maioria e não apenas de uma elite. Isto, no entanto, requer tempo e educação política da população. O imediatismo com que se analisa os efeitos das Lista Fechada não leva em conta as principais características do modelo e os seus principais benefícios: fortalecimento dos partidos, participação política e barateamento das campanhas eleitorais.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O declínio do Democratas

A eleição de 2010 deverá apresentar entre seus resultados a consolidação de uma tendência de mudança no quadro partidário nacional. O responsável por esta mudança é o Democratas que deverá ver mais uma vez suas bancadas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados reduzidas em relação às eleições 2006 e encerrar o pleito de 2010 sem nenhum governador eleito (teve um em 2006). O partido segue o mesmo rumo de outra legenda de centro-direita, o PP, que caiu tanto nos últimos 24 anos e consolidou-se como uma legenda média. O DEM perde ao longo dos anos preponderância nos cenários local e nacional. O partido está desgastado. Vamos aos dados que mostram isso.

De 1990 a 2006 o DEM experimentou uma queda no seu número de deputados federais. Elegeu 83 parlamentares em 1990, chegou a um pico de 105 em 1998 e caiu para 65 em 2006. Levando em consideração uma simples linha de tendência, pode-se esperar uma bancada próxima dos 55 parlamentares do antigo PFL na próxima composição da Câmara. No Senado o panorama não é diferente. Para este ano, o partido deve ver sua bancada encolhida de 14 para 10 representantes de acordo com estimativas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). A redução é significativa quando se trata de um partido que há pouco mais de dois anos pleiteava a presidência do Senado por ter a maior bancada na Casa juntamente com o PMDB.

Agora o nível estadual. Visualizando a composição das Assembleias Legislativas desde 1986, o DEM, então PFL, reduz o número total de deputados estaduais de 24,2% (em 1986) para 11,1% (em 2006), deixando de ser o segundo maior para se tornar o quarto. Quando se analisa os dados para os governo estaduais o declínio da antiga Frente Liberal é ainda maior. Podemos tomar dois pontos: de 1990 a 2006, a queda é de sete, no primeiro ano, para um, em 2006. No entando, o declínio é mais visível e constante se pegarmos de 1998, quando o partido elegeu seis governadores, para 2006, quando venceu em apenas uma unidade da federação.

Mais constrangedor ainda para o partido é recordar que o único governador eleito em 2006 não conseguiu cumprir o mandato. José Roberto Arruda foi obrigado a deixar o Governo do Distrito Federal enrolado em um escândalo de corrupção.

Nas prefeituras a presença do partido também é visível. Iniciando pelas capitais, em 2004 e 2008 apenas uma prefeitura em cada eleição foi conquistada pelo PFL/DEM. Tudo bem que em 2008 foi São Paulo. Mas a pergunta é: por méritos próprios? A resposta mais abaixo quando falarei das causas deste declínio. Excluídas as capitais, a presença do DEM nos demais exceutivos locais também vem caindo: de 24,7% das prefeituras conquistadas em 1988 para 9%, praticamente um terço, em 2008.

Mas, a que se deve este declínio?

O Democratas tem suas origens no período do Regime Militar, quando a maioria dos seus integrantes mais antigos integram a ARENA, o partido oficial do regime e apoiador da Ditadura. Podemos ir ainda mais para trás no tempo e encontraremos uma ligação histórica e ideológica do DEM com a União Democrática Nacional, a UDN. De lá pra cá muitas coisas mudaram, não vejo o DEM como um partido golpista a exemplo do que era a UDN, nem autoritário como era a ARENA, embora, repito, muitas de suas principais lideranças tenham nascido politicamente no período militar. É portanto, o Democratas, um partido com uma longa tradição política e de participação no poder, seja ele local ou nacional.

Talvez haja vários motivos que expliquem o declínio de um grupo político e tradição de participação no poder é uma delas. Basta ver o que aconteceu neste ano na Inglaterra quando após 13 anos os Trabalhistas deixaram o poder e, mais do que isso, o sistema inglês mostrou-se com três partidos relevantes com a ascenção dos Liberais Democratas. Voltemos ao cenário brasileiro.

No entanto, a razão pela qual o Democratas vê declinar sua capacidade de eleger representantes é o fato de o partido (ainda como PFL) ter se transformado em uma mera sombra do PSDB, partido ao qual se aliou ainda na primeira metade da década de 90 e participou dos dois períodos presidenciais com o vice. Analisando os dados do Democratas ao longo das eleições percebe-se que o declínio mais acentuado do partido se dá de 1998 para cá. Naquele ano, o partido atinge o ápice de sua representação na Câmara dos Deputados e elege seis governadores. Associada ao ano 2000, quando há uma reação na participação nas camaras municipais e nas prefeituras, este período de dois anos (duas eleições) é o último de ascenção do então PFL.

É difícil para um partido manter-se forte e relevante sem apresentar novas lideranças. Diferente do PMDB que tem lideranças fortes no campo regional e mantem uma presença maciça nos governos estaduais, prefeituras, assembleias e no Congresso Nacional, mesmo sem apresentar candidatos à Presidência, em uma clara estratégia de ser um partido relevante na composição de governos, o DEM se propôs a isso quando aliou-se ao PSDB mas não conseguiu ter a mesma força do PMDB. Nesse caminho, claro, há perdas de figuras que poderiam dar o DEM/PFL o salto que faltou. Falo de Luís Eduardo Magalhães, morto em 1998, e que seria uma forte indicação do partido para a presidência em 2002.

Mas, o partido não soube se recompor e não manteve sua relevância na aliança oposicionista com o PSDB. E as rusgas em torno da indicação do vice na chapa de José Serra nas eleições de 2010 deixaram esta diminuição da importância do partido evidentes.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um pitaco sobre jornalismo

Record x Globo; Globo x Abril/UOL; Record x Folha; Record x Abril/UOL ... A nossa mídia está em pé de guerra. Bom ou ruim? Nem um, nem outro, isto é simplesmente ótimo porque é a grande chance de escancarar para o público como funcionam os interesses dos grandes conglomerados de mídia do nosso país.


A briga Dunga x Globo deixou claro como os veículos manipulam a informação quando os seus interesses são contrariados. A presepada protagonizada pelos jornalistas globais tentando fazer parecer que a ira de Dunga era gratuita, sem motivos, não durou 24 horas. O pano de fundo para a desavença foi a negativa do técnico da Seleção para que jogadores dessem entrevistas exclusivas ao Fantástico do último domingo. Certo está Dunga em negar, errou Dunga na forma de se expressar e errou a Globo ao pensar que a desonestidade da explicação passaria imperceptível em tempos de mídias sociais e de informação "sem donos".


As mídias sociais, principalmente o Twitter e sua capacidade de propagar informações rapidamente, são as responsáveis por uma novidade na nossa imprensa: ela que se acostumou a apenas criticar, passou a ser alvo de críticas por parte da opinião pública que ela mesma tenta formar. Leitores, ouvintes, telespectadores e twitteiros passaram a exercer na relação com a mídia o papel que a mídia exerce quando se relaciona a classe política no que diz respeito ao controle e à fiscalização de atos públicos. A diferença crucial nessas relações, claro, é que a mídia tem interesses implícitos na relação com o poder público. Interesses estes que vão além da boa informação e muitas vezes se restringem às vontades dos donos dos veículos. Ali, a participação é mediada, só entra quem tem permissão. O que não ocorre com as mídias sociais. Entra quem quer, fala-se o que quiser e repercute-se o que bem entender. Por isso, movimentos como o #calabocagalvao, #calabocatadeuschmidt e #umdiasemglobo ganham corpo, seguidores e influência.


Twitter, Orkut e Facebook são fenômenos novos que as classes políticas estão aprendendo a usar, mas que a própria mídia convencional ainda não se deu conta da força, influência e da capacidade de propagar informações e tendências. São benéficas e são um instrumento que cada vez mais se mostra importante para a democratização do acesso à informação. Políticos que se aventuram nesse meio, mas que não respondem a seus seguidores, não sobrevivem ou perdem credibilidade. A mídia convencional se não fizer o mesmo, se não valorizar o peso das novas mídias, perderá sua já abalada credibilidade.

Jornalista não é lobista, não tem mandato de representação da sociedade e não está acima do bem e do mal. Jornalista presta serviço de informação e esta deve ser a mais isenta possível. No entanto, jornalistas que cobrem o Congresso Nacional e os que cobrem a Seleção Brasileira cometem o mesmo pecado: acreditam que falam em nome do povo, quando na verdade falam tão somente em nome de seus grandes conglomerados de comunicação. A maioria, de tão incompetente, faz o papel ridículo de bonequinho na mão de grupos políticos ou de mídia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Precisar da Lei da Ficha Limpa é uma vergonha

É uma vergonha que uma democracia ainda precise tutelar seus eleitores para que eles não cometam, ou minimizem as besteiras quando foram às urnas. A Lei da Ficha Limpa é isso. Uma tutela, um freio às ações de um eleitorado que na grande maioria dos casos não lembra em quem votou no dia seguinte ao pleito. É uma pena que a nossa democracia ainda necessite desses mecanismo para evitar que picaretas, ou pelo menos diminuir a presença deles, participem das eleições tentando perpetuar suas fontes de enriquecimento ilícitos e seus esquemas de favorecimentos a amigos.

É uma vergonha que não haja no Brasil ainda uma política efetiva de educação da população, de formação de massa crítica na sociedade. Não falo de alfabetização, ou da alfabetização feita nos últimos anos que ensinou a milhões como assinar os próprios nomes ou ler o itinerário dos ônibus. Isso passa longe de ser alfabetização efetivamente, mas não passa da criação de analfabetos funcionais que, em termos políticos, continuam analfabetos. Sendo analfabetos políticos, sem acesso às informações necessárias à consolidação de um voto consciente, precisam de tutelas como o Projeto Ficha Limpa.

É uma vergonha que os partidos políticos precisem ser obrigados por lei a negar legenda aos picaretas que pretendem se lançar ou continuar na vida pública. Os estatutos dos partidos, que trazem em letras garrafais a defesa da ética, dos princípios da boa administração pública e que prometem ainda organismos para julgar e expulsar pessoas com deslizes éticos, já deveriam ser suficientes para que as lideranças partidárias proibissem este tipo de candidatos, os fichas sujas. O problema é que muitas vezes os próprios dirigentes estão neste grupo.

A Lei da Ficha Limpa é um mal necessário. Os partidos até hoje não se mexeram para evitar que este tipo de políticos se perpetuasse nos seus quadros. O eleitor, por sua vez, em sua maioria sem a exata dimensão do que é o voto e sem a consciência de que aqueles que se elegem são seus representantes e devem lidar com o interesse público, não cobra, não participa e ainda enche a boca pra dizer que "não tá nem aí pra política". Por causa de partidos fracos, políticos interessados apenas em questões pessoais (na grande parte dos casos) e de um eleitorado que se orgulha em não participar (na maioria dos casos) é que leis como a da Ficha Limpa são de grande necessidade para a melhora da nossa representação.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Links da CIA - uma visita interessante

A Central Intelligence Agency tem alguns sites interessantes. Dois deles sugiro aqui neste post. O primeiro é o The World Factbook. O endereço traz informações completas sobre todos os países do mundo e mais um pouco (inclui colônias e territórios ultramarinos dos países independentes). Lá tem tudo: desde informações econômicas à questões de política externa, passando por dados de geografia e população. É muito interessante para quem precisa de informações rápidas e confiáveis.

O outro é um, entre várias publicações, histórico das questões de inteligência na Guerra Civil Americana. Para quem tem interesse e estuda assuntos ligados à inteligência, o texto é uma fonte riquíssima de como foi este trabalho durante a Guerra que marcou o século dezenove no Estados Unidos.

Há várias outras publicações e outros sites interessantes dentro do site da CIA. Vale à pena a visita àquela que deveria ser o espelho da nossa ABIN.