O Correio Braziliense de ontem, 22, trouxe uma reportagem sobre falhas na construção de avenidas aqui em Brasília. Um texto útil (sim, o CB de vez em quando consegue) que mostra pontos da cidade onde os engenheiros (?) erraram feio na concepção de partes de algumas avenidas. São curvas e alças de viadutos com erros de elevação, de ângulo entre outros. As respostas dos órgãos (in)competentes são as mais hilárias possíveis. Quando respondem, afirmam que os "acidentes só ocorrem na época de chuva eu que não há falhas". Bom assim, não?
Costumo dizer entre amigos que o pessoal da responsável pela engenharia de tráfego aqui em Brasília nunca chegou nem perto de uma escola de engenharia, mas são formados em cursos como Letras, Jornalismo etc. É um absurdo a quantidade de erros primários nas nossas vias. Primeiro que aqui nenhum deles ouviu falar em onda verde nas avenidas. Aquela sincronia entre semáforos que faz com que todos abram praticamente ao mesmo tempo, garantindo melhor fluidez ao trânsito. Algo óbvio em qualquer cidade, coisa difícil de aplicar aqui. Além disso tudo, há estreitamentos de pista inexplicáveis. A pista simplesmente acaba e tranca o trânsito, assim, do nada, sem necessidade nenhuma.
Enfim, como sempre digo, os engenheiros de tráfego aqui da Capital passaram longe das escolas de engenharia. Só pode. E como se não bastasse, os motoristas também não ajudam muito.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Um dos motivos para o PSDB não conseguir sair da mesmice
Texto do Estadão sobre a briga interna pelo comando do PSDB. Desse jeito, a ideia do senador Sérgio Guerra de lançar um candidato à presidência já em 2012 não vai vingar. Pela fala do presidente municipal do PSDB de São Paulo, o partido vai continuar sofrendo do mesmo mal da divisão e da teimosia de uma parte da sigla, inviabilizando um projeto maior e que realmente una o partido nacionalmente. O PSDB, ao que parece, vai pelo mesmo caminho que andou nos últimos anos.
'Não interessa ao PSDB que se aposentem figuras com Serra, Tasso e FHC', diz Reis Lobo
Presidente municipal do PSDB de São Paulo vê 'papel fundamental' para Serra na oposição, rechaça a ideia de 'refundação' do partido ancorada em novas lideranças
21 de novembro de 2010
15h 23
André Mascarenhas - Estadão.com.br
O candidato derrotado da oposição à Presidência, José Serra, deve continuar a influir decisivamente nos rumos do PSDB, e a renovação propagada por lideranças que emergiram mais fortes das urnas dependerá menos da reacomodação destes quadros na hierarquia partidária do que se imagina. A tese é do presidente municipal do PSDB de São Paulo, José Henrique Reis Lobo, que vê "um papel fundamental" para Serra na oposição, rechaça a ideia de "refundação" do partido ancorada em novas lideranças e relativiza a ideia de que Aécio Neves é o candidato natural para 2014.
"Francamente, eu não entendi bem, até agora, o que quer dizer 'refundação' do PSDB, porque ninguém ainda explicou devidamente", afirmou Lobo. Com bom trânsito entre serristas e alckmistas, Lobo é daquelas figuras dos bastidores que raramente dão entrevistas. Em entrevista por e-mail ao estadão.com.br, ele deixa claro que os planos de Aécio, de figurar como candidato de consenso da oposição à Presidência em 2014, encontrarão forte resistência em São Paulo. "Se a expressão for apenas um eufemismo usado pelos que querem a renovação das lideranças do partido, pessoalmente tenho outra opinião", escreveu.
"Não acho que interesse ao PSDB e nem mesmo ao Brasil que se aposentem figuras com a experiência e a competência, por exemplo, dos ex-governadores José Serra e Tasso Jereissati e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", continuou. A referência aos três caciques que detiveram a hegemonia do tucanato nos últimos anos é uma resposta a setores que, logo após a confirmação da derrota de Serra, argumentaram que o triunvirato passaria para a reserva, dando lugar a Aécio e aos governadores eleitos de São Paulo, Geraldo Alckmin, e Paraná, Beto Richa.
Ainda assim, Lobo procurou ressaltar a importância da convivência entre as velhas lideranças e os novos quadros do partido, e citou, além de Aécio, Alckmin e Richa, os nomes dos governadores eleitos Antonio Anastásia e Marconi Perilo e do senador eleito Aloysio Nunes Ferreira. "A refundação do partido se dará não pela substituição das atuais lideranças, mas pela definição do tipo de oposição que pretendemos fazer ao governo que vai se instalar", disse.
Embora não desminta os rumores de que Serra poderá se candidatar à prefeitura da capital em 2012 - "credenciais lhe falta" -, Lobo vê para o tucano um destino diferente. "Serra é um nome de expressão nacional. Poucos homens públicos no Brasil têm a bagagem intelectual e moral que ele ostenta", escreveu, num sinal de que o ex-governador alçará, em breve, voos mais altos. "Esse contexto vai impor um papel fundamental a José Serra, que extrapolará o de candidato a prefeito de São Paulo."
Erros. Coordenador administrativo da campanha de Serra, Lobo também fez um balanço do pleito. Para ele, a derrota do tucano se deveu muito mais à utilização da máquina federal em prol de Dilma Rousseff do que aos erros do PSDB. "A vitória da situação tem que ser relativizada, porque mostra que, apesar de tudo, quase a metade da população prefere o Brasil sob outra condução", acrescentou.
A seguir, a íntegra da entrevista:
Durante a campanha o PSDB acreditava, até o fim, que ganhariam as eleições, ou houve um momento em que ficou claro que elas estavam perdidas?
Quem disputa uma eleição nunca acha, de todo, que vai perdê-la. No nosso caso, cerca de dez dias antes do segundo turno, nossa avaliação era de que a situação estava muito complicada. Afinal, as pessoas encarregadas de fazer a leitura das pesquisas diziam que a vitória seria possível desde que ganhássemos a eleição em São Paulo com uma diferença de três milhões e meio a quatro milhões de votos, empatássemos em Minas Gerais e perdêssemos no Rio de Janeiro por, no máximo, quinhentos mil votos. A constatação que fazíamos, no entanto, era de que não tínhamos fôlego para isso. Mesmo assim, em nenhum momento desanimamos, porque, baseados em experiências anteriores, sabíamos que, numa campanha, quando menos se espera surge um fato novo, capaz de mudar radicalmente a sorte das eleições.
Passadas as eleições, que avaliação o partido faz da campanha e dos erros que levaram à derrota?
As análises, até agora, têm sido individuais. Eu, particularmente, acho que não houve erros que pudessem ser considerados fatais. Claro que houve equívocos, como em toda a empreitada humana, mas, a meu ver, nenhum deles pode ser considerado como determinante da derrota. Perdemos porque as circunstâncias não nos ajudaram. Apesar das virtudes do candidato da oposição, não foi fácil competir, como sabíamos desde o início, com a outra candidatura, que tinha o apoio ostensivo do Presidente da República, no auge da sua popularidade. Mesmo assim, se considerarmos esse e outros fatores, como a falácia a que tem sido submetido o povo brasileiro ao longo dos últimos oito anos, a vitória da situação tem que ser relativizada, porque mostra que, apesar de tudo, quase a metade da população prefere o Brasil sob outra condução.
Após a derrota de Serra, o ex-governador de Minas, Aécio Neves, sugeriu que o PSDB precisará passar por uma "refundação". Qual será o papel reservado ao partido nos próximos quatro anos?
Francamente, eu não entendi bem, até agora, o que quer dizer "refundação" do PSDB porque ninguém ainda explicou devidamente. Se a expressão for apenas um eufemismo usado pelos que querem a renovação das lideranças do partido, pessoalmente tenho outra opinião, porque não acho que interesse ao PSDB e nem mesmo ao Brasil que se aposentem figuras com a experiência e a competência, por exemplo, dos ex-governadores José Serra e Tasso Jereissati e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Esses são, a meu ver, líderes insubstituíveis, que, no entanto, podem e devem conviver com lideranças que emergem das urnas, como os governadores Geraldo Alckmin, Antonio Anastásia, Beto Richa, Marconi Perilo e os senadores eleitos Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira. Para mim, é o conjunto dessas e de outras lideranças que darão a cara do PSDB nos próximos quatro anos e a "refundação" do partido se dará não pela substituição das atuais lideranças, mas pela definição do tipo de oposição que pretendemos fazer ao governo que vai se instalar.
Qual é o futuro de Serra dentro do partido e quais são seus horizontes políticos? Ele seria um bom candidato a prefeito de São Paulo em 2012?
Credenciais para ser candidato não lhe falta, evidentemente. Entretanto, com a ressalva de que é absolutamente prematuro tratar das eleições de 2012, tenho a impressão, nesse momento, de que é outro o papel que lhe está reservado na vida pública nos próximos anos. Serra é um nome de expressão nacional. Poucos homens públicos no Brasil têm a bagagem intelectual e moral que ele ostenta, ao lado da experiência acumulada na sua trajetória de político e de administrador. A oposição, que a candidatura de Serra representou, vai ter que estar vigilante. Para cumprirmos o papel que a sociedade nos atribuiu, penso que vamos ter também que estar atuantes, confrontando sempre os projetos e as políticas do futuro governo com os que temos para o País e com os quais nos apresentamos para a nação brasileira. Se for isso mesmo, esse contexto vai impor um papel fundamental a José Serra, que extrapolará o de candidato a Prefeito de São Paulo.
Com a vitória de Alckmin, como está relação entre as alas serristas e alckmistas dentro do PSDB após as eleições? Como elas se comportarão com vistas à construção da candidatura a prefeito da capital em 2012?
Nada faz supor, a meu ver, que haja no horizonte qualquer sinal de estranhamento entre os que, dentro do partido, são mais chegados a Serra e os que são mais próximos de Alckmin. Eu diria que os interesses são convergentes e que a eleição passada serviu para aproximar ainda mais os dois, pela conduta absolutamente irrepreensível de cada um com relação a candidatura do outro. O pressuposto é que uma candidatura se constrói em nome do interesse da sociedade, que o partido político acha que pode representar. E dentro do partido há nomes, que no seu devido tempo serão analisados, com base em diversos critérios, para que se saiba qual está melhor habilitado para se apresentar como candidato.
Caso Gilberto Kassab deixe mesmo o DEM para ingressar no PMDB ou outro partido político, o que muda na relação do PSDB com o prefeito?
É muito difícil falar sobre hipóteses e, no caso, são duas as que estão colocadas. A primeira é a do prefeito sair do DEM e ingressar em outro partido político. A segunda é a do que acontecerá com relação aos tucanos se isso se confirmar. Para falar a verdade, se o fato ocorrer, as variáveis seriam tantas e teriam ainda que ser combinadas com tantas outras que nem o matemático Oswald de Souza seria capaz, nessa altura, de responder a essa questão. No momento, o que importa é deixar claro que o DEM e suas principais lideranças nacionais, entre as quais o prefeito Gilberto Kassab, foram parceiros do PSDB na última campanha e revelaram uma lealdade exemplar às candidaturas de Geraldo Alckmin e de José Serra. Figuras como Jorge Borhausen, Rodrigo Maia, Guilherme Afif Domingos e Índio da Costa, entre tantos outros, foram expoentes das campanhas do PSDB. Eu acompanhei tudo isso muito de perto e acho importante que se faça esse reconhecimento.
O nome do Sr. tem sido cotado para o cargo de Secretário de Cultura no governo de Geraldo Alckmin. Houve algum convite nesse sentido?
Não vejo o governador eleito desde as eleições. Acho que a sociedade vai estar de olho no governo dele desde o primeiro dia. E o PSDB mais ainda, porque sabe que ele terá que fazer uma gestão no mínimo excelente para que o partido chegue forte nas eleições de 2012 e de 2014, minimizando um certo sentimento de exaustão que pode estar presente naqueles pleitos. Meus votos são de que ele seja feliz na montagem da equipe que vai ajudá-lo a governar.
A eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República deixa claro que o eleitor brasileiro está pronto para votar em mulheres para os cargos mais importantes. Como o Sr. vê a ascensão feminina na política e como o PSDB pretende contribuir para dar mais espaço às mulheres na administração pública?
A ascensão das mulheres na política brasileira tem se dado progressivamente, como, de resto,em todo o mundo ocidental, e é um fato extremamente auspicioso, fruto de uma história de luta para que não haja discriminação, sob qualquer aspecto, em função de gênero. No Brasil, os governos do PSDB têm dado uma contribuição extremamente importante para isso, bastando considerar, por exemplo, que, em São Paulo, na gestão do Governador José Serra, quatro das mais importantes Secretarias de Estado foram a elas conferidas, cabendo, a propósito, destacar o trabalho de Maria Helena Guimarães, na Educação, Linamara Batistella, na Pasta dos Portadores de Deficiências, Dilma Pena, na área de Saneamento e Energia, e Rita Passos, na Assistência Social, sem contar o formidável desempenho de Rosemarie Corrêa à frente do Coselho da Condição Feminina, vinculado à Secretaria de Relações Institucionais, que tive a honra de exercer. Antes delas, Rose Neubauer e Guiomar Namo de Mello já eram expoentes, entre outras, do Governo Mário Covas. Na campanha de Serra, a Senadora Marisa Serrano teve papel de relevo, participando da coordenação política e sendo a responsável pela agenda de compromissos do candidato. Nos Estados sob o comando do partido, com certeza elas continuarão sendo chamadas para o exercício de funções relevantes, haja vista a permanência no Governo de São Paulo da Dra. Linamara Batistella, primeiro nome anunciado por Geraldo Alckmin para compor o seu Secretariado.
'Não interessa ao PSDB que se aposentem figuras com Serra, Tasso e FHC', diz Reis Lobo
Presidente municipal do PSDB de São Paulo vê 'papel fundamental' para Serra na oposição, rechaça a ideia de 'refundação' do partido ancorada em novas lideranças
21 de novembro de 2010
15h 23
André Mascarenhas - Estadão.com.br
O candidato derrotado da oposição à Presidência, José Serra, deve continuar a influir decisivamente nos rumos do PSDB, e a renovação propagada por lideranças que emergiram mais fortes das urnas dependerá menos da reacomodação destes quadros na hierarquia partidária do que se imagina. A tese é do presidente municipal do PSDB de São Paulo, José Henrique Reis Lobo, que vê "um papel fundamental" para Serra na oposição, rechaça a ideia de "refundação" do partido ancorada em novas lideranças e relativiza a ideia de que Aécio Neves é o candidato natural para 2014.
"Francamente, eu não entendi bem, até agora, o que quer dizer 'refundação' do PSDB, porque ninguém ainda explicou devidamente", afirmou Lobo. Com bom trânsito entre serristas e alckmistas, Lobo é daquelas figuras dos bastidores que raramente dão entrevistas. Em entrevista por e-mail ao estadão.com.br, ele deixa claro que os planos de Aécio, de figurar como candidato de consenso da oposição à Presidência em 2014, encontrarão forte resistência em São Paulo. "Se a expressão for apenas um eufemismo usado pelos que querem a renovação das lideranças do partido, pessoalmente tenho outra opinião", escreveu.
"Não acho que interesse ao PSDB e nem mesmo ao Brasil que se aposentem figuras com a experiência e a competência, por exemplo, dos ex-governadores José Serra e Tasso Jereissati e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", continuou. A referência aos três caciques que detiveram a hegemonia do tucanato nos últimos anos é uma resposta a setores que, logo após a confirmação da derrota de Serra, argumentaram que o triunvirato passaria para a reserva, dando lugar a Aécio e aos governadores eleitos de São Paulo, Geraldo Alckmin, e Paraná, Beto Richa.
Ainda assim, Lobo procurou ressaltar a importância da convivência entre as velhas lideranças e os novos quadros do partido, e citou, além de Aécio, Alckmin e Richa, os nomes dos governadores eleitos Antonio Anastásia e Marconi Perilo e do senador eleito Aloysio Nunes Ferreira. "A refundação do partido se dará não pela substituição das atuais lideranças, mas pela definição do tipo de oposição que pretendemos fazer ao governo que vai se instalar", disse.
Embora não desminta os rumores de que Serra poderá se candidatar à prefeitura da capital em 2012 - "credenciais lhe falta" -, Lobo vê para o tucano um destino diferente. "Serra é um nome de expressão nacional. Poucos homens públicos no Brasil têm a bagagem intelectual e moral que ele ostenta", escreveu, num sinal de que o ex-governador alçará, em breve, voos mais altos. "Esse contexto vai impor um papel fundamental a José Serra, que extrapolará o de candidato a prefeito de São Paulo."
Erros. Coordenador administrativo da campanha de Serra, Lobo também fez um balanço do pleito. Para ele, a derrota do tucano se deveu muito mais à utilização da máquina federal em prol de Dilma Rousseff do que aos erros do PSDB. "A vitória da situação tem que ser relativizada, porque mostra que, apesar de tudo, quase a metade da população prefere o Brasil sob outra condução", acrescentou.
A seguir, a íntegra da entrevista:
Durante a campanha o PSDB acreditava, até o fim, que ganhariam as eleições, ou houve um momento em que ficou claro que elas estavam perdidas?
Quem disputa uma eleição nunca acha, de todo, que vai perdê-la. No nosso caso, cerca de dez dias antes do segundo turno, nossa avaliação era de que a situação estava muito complicada. Afinal, as pessoas encarregadas de fazer a leitura das pesquisas diziam que a vitória seria possível desde que ganhássemos a eleição em São Paulo com uma diferença de três milhões e meio a quatro milhões de votos, empatássemos em Minas Gerais e perdêssemos no Rio de Janeiro por, no máximo, quinhentos mil votos. A constatação que fazíamos, no entanto, era de que não tínhamos fôlego para isso. Mesmo assim, em nenhum momento desanimamos, porque, baseados em experiências anteriores, sabíamos que, numa campanha, quando menos se espera surge um fato novo, capaz de mudar radicalmente a sorte das eleições.
Passadas as eleições, que avaliação o partido faz da campanha e dos erros que levaram à derrota?
As análises, até agora, têm sido individuais. Eu, particularmente, acho que não houve erros que pudessem ser considerados fatais. Claro que houve equívocos, como em toda a empreitada humana, mas, a meu ver, nenhum deles pode ser considerado como determinante da derrota. Perdemos porque as circunstâncias não nos ajudaram. Apesar das virtudes do candidato da oposição, não foi fácil competir, como sabíamos desde o início, com a outra candidatura, que tinha o apoio ostensivo do Presidente da República, no auge da sua popularidade. Mesmo assim, se considerarmos esse e outros fatores, como a falácia a que tem sido submetido o povo brasileiro ao longo dos últimos oito anos, a vitória da situação tem que ser relativizada, porque mostra que, apesar de tudo, quase a metade da população prefere o Brasil sob outra condução.
Após a derrota de Serra, o ex-governador de Minas, Aécio Neves, sugeriu que o PSDB precisará passar por uma "refundação". Qual será o papel reservado ao partido nos próximos quatro anos?
Francamente, eu não entendi bem, até agora, o que quer dizer "refundação" do PSDB porque ninguém ainda explicou devidamente. Se a expressão for apenas um eufemismo usado pelos que querem a renovação das lideranças do partido, pessoalmente tenho outra opinião, porque não acho que interesse ao PSDB e nem mesmo ao Brasil que se aposentem figuras com a experiência e a competência, por exemplo, dos ex-governadores José Serra e Tasso Jereissati e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Esses são, a meu ver, líderes insubstituíveis, que, no entanto, podem e devem conviver com lideranças que emergem das urnas, como os governadores Geraldo Alckmin, Antonio Anastásia, Beto Richa, Marconi Perilo e os senadores eleitos Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira. Para mim, é o conjunto dessas e de outras lideranças que darão a cara do PSDB nos próximos quatro anos e a "refundação" do partido se dará não pela substituição das atuais lideranças, mas pela definição do tipo de oposição que pretendemos fazer ao governo que vai se instalar.
Qual é o futuro de Serra dentro do partido e quais são seus horizontes políticos? Ele seria um bom candidato a prefeito de São Paulo em 2012?
Credenciais para ser candidato não lhe falta, evidentemente. Entretanto, com a ressalva de que é absolutamente prematuro tratar das eleições de 2012, tenho a impressão, nesse momento, de que é outro o papel que lhe está reservado na vida pública nos próximos anos. Serra é um nome de expressão nacional. Poucos homens públicos no Brasil têm a bagagem intelectual e moral que ele ostenta, ao lado da experiência acumulada na sua trajetória de político e de administrador. A oposição, que a candidatura de Serra representou, vai ter que estar vigilante. Para cumprirmos o papel que a sociedade nos atribuiu, penso que vamos ter também que estar atuantes, confrontando sempre os projetos e as políticas do futuro governo com os que temos para o País e com os quais nos apresentamos para a nação brasileira. Se for isso mesmo, esse contexto vai impor um papel fundamental a José Serra, que extrapolará o de candidato a Prefeito de São Paulo.
Com a vitória de Alckmin, como está relação entre as alas serristas e alckmistas dentro do PSDB após as eleições? Como elas se comportarão com vistas à construção da candidatura a prefeito da capital em 2012?
Nada faz supor, a meu ver, que haja no horizonte qualquer sinal de estranhamento entre os que, dentro do partido, são mais chegados a Serra e os que são mais próximos de Alckmin. Eu diria que os interesses são convergentes e que a eleição passada serviu para aproximar ainda mais os dois, pela conduta absolutamente irrepreensível de cada um com relação a candidatura do outro. O pressuposto é que uma candidatura se constrói em nome do interesse da sociedade, que o partido político acha que pode representar. E dentro do partido há nomes, que no seu devido tempo serão analisados, com base em diversos critérios, para que se saiba qual está melhor habilitado para se apresentar como candidato.
Caso Gilberto Kassab deixe mesmo o DEM para ingressar no PMDB ou outro partido político, o que muda na relação do PSDB com o prefeito?
É muito difícil falar sobre hipóteses e, no caso, são duas as que estão colocadas. A primeira é a do prefeito sair do DEM e ingressar em outro partido político. A segunda é a do que acontecerá com relação aos tucanos se isso se confirmar. Para falar a verdade, se o fato ocorrer, as variáveis seriam tantas e teriam ainda que ser combinadas com tantas outras que nem o matemático Oswald de Souza seria capaz, nessa altura, de responder a essa questão. No momento, o que importa é deixar claro que o DEM e suas principais lideranças nacionais, entre as quais o prefeito Gilberto Kassab, foram parceiros do PSDB na última campanha e revelaram uma lealdade exemplar às candidaturas de Geraldo Alckmin e de José Serra. Figuras como Jorge Borhausen, Rodrigo Maia, Guilherme Afif Domingos e Índio da Costa, entre tantos outros, foram expoentes das campanhas do PSDB. Eu acompanhei tudo isso muito de perto e acho importante que se faça esse reconhecimento.
O nome do Sr. tem sido cotado para o cargo de Secretário de Cultura no governo de Geraldo Alckmin. Houve algum convite nesse sentido?
Não vejo o governador eleito desde as eleições. Acho que a sociedade vai estar de olho no governo dele desde o primeiro dia. E o PSDB mais ainda, porque sabe que ele terá que fazer uma gestão no mínimo excelente para que o partido chegue forte nas eleições de 2012 e de 2014, minimizando um certo sentimento de exaustão que pode estar presente naqueles pleitos. Meus votos são de que ele seja feliz na montagem da equipe que vai ajudá-lo a governar.
A eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República deixa claro que o eleitor brasileiro está pronto para votar em mulheres para os cargos mais importantes. Como o Sr. vê a ascensão feminina na política e como o PSDB pretende contribuir para dar mais espaço às mulheres na administração pública?
A ascensão das mulheres na política brasileira tem se dado progressivamente, como, de resto,em todo o mundo ocidental, e é um fato extremamente auspicioso, fruto de uma história de luta para que não haja discriminação, sob qualquer aspecto, em função de gênero. No Brasil, os governos do PSDB têm dado uma contribuição extremamente importante para isso, bastando considerar, por exemplo, que, em São Paulo, na gestão do Governador José Serra, quatro das mais importantes Secretarias de Estado foram a elas conferidas, cabendo, a propósito, destacar o trabalho de Maria Helena Guimarães, na Educação, Linamara Batistella, na Pasta dos Portadores de Deficiências, Dilma Pena, na área de Saneamento e Energia, e Rita Passos, na Assistência Social, sem contar o formidável desempenho de Rosemarie Corrêa à frente do Coselho da Condição Feminina, vinculado à Secretaria de Relações Institucionais, que tive a honra de exercer. Antes delas, Rose Neubauer e Guiomar Namo de Mello já eram expoentes, entre outras, do Governo Mário Covas. Na campanha de Serra, a Senadora Marisa Serrano teve papel de relevo, participando da coordenação política e sendo a responsável pela agenda de compromissos do candidato. Nos Estados sob o comando do partido, com certeza elas continuarão sendo chamadas para o exercício de funções relevantes, haja vista a permanência no Governo de São Paulo da Dra. Linamara Batistella, primeiro nome anunciado por Geraldo Alckmin para compor o seu Secretariado.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Inglaterra: Brasil no Conselho de Segurança da ONU e investimento na América Latina
A reportagem a seguir foi publica em O Globo
Chanceler britânico defende entrada do Brasil no Conselho de segurança ONU
No primeiro discurso de um chanceler britânico dedicado inteiramente à América Latina em 200 anos, o ministro William Hague defendeu nesta terça-feira a entrada do Brasil no Conselho de Segurança (CS) da ONU e o fim da “negligência” nas relações entre a Grã-Bretanha e os países latino-americanos.
“Vamos interromper o declínio da presença diplomática britânica na América Latina”, disse Hague em discurso na Canning House, centro de estudos das relações entre britânicos, hispânicos e luso-brasileiros, em Londres.
O chanceler afirmou que a Grã-Bretanha “continuará a pedir por uma reforma na ONU, incluindo a expansão do Conselho de Segurança com o Brasil como membro permanente”. É uma questão, segundo Hague, de “legitimidade e equilíbrio” mundial de poder.
O Brasil é atualmente membro rotativo do CS, e a vaga permanente é uma reivindicação antiga do país.
Os membros permanentes – com poder de veto sobre as resoluções que tramitam no conselho –são EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia. Países emergentes reivindicam uma reforma, alegando que o CS não representa mais a distribuição de poder econômico e geopolítico do mundo atual.
No entanto, a reforma no CS não é um consenso, e sua concretização pode levar anos. Sendo assim, a fala do chanceler britânico é sobretudo um gesto diplomático, semelhante ao feito por Barack Obama, na segunda-feira, em Nova Déli, quando defendeu a entrada da Índia no CS.
‘Nova forma’
Hague disse que é “hora de pensar de uma nova forma sobre a América Latina e sobre as oportunidades de cooperação política, comércio e investimentos” com a região.
O chanceler afirmou que a Grã-Bretanha tem um histórico de “subestimar” o continente latino, mas que isso vai mudar na atual administração – formada por uma coalizão entre conservadores e liberais-democratas e que assumiu o poder em maio.
Ressaltou, no entanto, que a Grã-Bretanha não mudará “sua posição” quanto às ilhas Falkland (ou Malvinas) – cuja soberania é disputada com a Argentina -, sem deixar que o tema seja um “obstáculo” para a cooperação com os latino-americanos.
Num momento em que a Grã-Bretanha enfrenta um grande déficit público e aplica duras medidas de austeridade, o chanceler citou o interesse em aumentar as exportações britânicas à América Latina, que atualmente são três vezes menores do que as exportações britânicas à Irlanda, disse ele.
Como exemplo de avanços, Hague citou a missão de empresários liderada pelo secretário de Negócios, Vince Cable, que veio ao Brasil em agosto. E falou do esforço em firmar acordos comerciais para “modernizar” a Marinha brasileira.
O repórter da BBC Mundo Arturo Wallace, que acompanhou o discurso e a entrevista do chanceler nesta terça, relata que Hague parabenizou o Brasil e a presidente eleita Dilma Rousseff pelas recentes eleições, citou o Bolsa Família entre um dos “modelos” de política social implementados na região e disse que há espaço para cooperação entre Brasil e Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos (Londres será a sede em 2012; o Rio de Janeiro, em 2016).
Em entrevista em julho, Hague havia incluído o Brasil entre as prioridades do novo governo britânico em política externa, alegando que a Grã-Bretanha precisa aumentar “sua influência e seu alcance global” num momento em que “o poder econômico e as oportunidades econômicas estão se movendo para os países do Leste e do Sul”.
Chanceler britânico defende entrada do Brasil no Conselho de segurança ONU
No primeiro discurso de um chanceler britânico dedicado inteiramente à América Latina em 200 anos, o ministro William Hague defendeu nesta terça-feira a entrada do Brasil no Conselho de Segurança (CS) da ONU e o fim da “negligência” nas relações entre a Grã-Bretanha e os países latino-americanos.
“Vamos interromper o declínio da presença diplomática britânica na América Latina”, disse Hague em discurso na Canning House, centro de estudos das relações entre britânicos, hispânicos e luso-brasileiros, em Londres.
O chanceler afirmou que a Grã-Bretanha “continuará a pedir por uma reforma na ONU, incluindo a expansão do Conselho de Segurança com o Brasil como membro permanente”. É uma questão, segundo Hague, de “legitimidade e equilíbrio” mundial de poder.
O Brasil é atualmente membro rotativo do CS, e a vaga permanente é uma reivindicação antiga do país.
Os membros permanentes – com poder de veto sobre as resoluções que tramitam no conselho –são EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia. Países emergentes reivindicam uma reforma, alegando que o CS não representa mais a distribuição de poder econômico e geopolítico do mundo atual.
No entanto, a reforma no CS não é um consenso, e sua concretização pode levar anos. Sendo assim, a fala do chanceler britânico é sobretudo um gesto diplomático, semelhante ao feito por Barack Obama, na segunda-feira, em Nova Déli, quando defendeu a entrada da Índia no CS.
‘Nova forma’
Hague disse que é “hora de pensar de uma nova forma sobre a América Latina e sobre as oportunidades de cooperação política, comércio e investimentos” com a região.
O chanceler afirmou que a Grã-Bretanha tem um histórico de “subestimar” o continente latino, mas que isso vai mudar na atual administração – formada por uma coalizão entre conservadores e liberais-democratas e que assumiu o poder em maio.
Ressaltou, no entanto, que a Grã-Bretanha não mudará “sua posição” quanto às ilhas Falkland (ou Malvinas) – cuja soberania é disputada com a Argentina -, sem deixar que o tema seja um “obstáculo” para a cooperação com os latino-americanos.
Num momento em que a Grã-Bretanha enfrenta um grande déficit público e aplica duras medidas de austeridade, o chanceler citou o interesse em aumentar as exportações britânicas à América Latina, que atualmente são três vezes menores do que as exportações britânicas à Irlanda, disse ele.
Como exemplo de avanços, Hague citou a missão de empresários liderada pelo secretário de Negócios, Vince Cable, que veio ao Brasil em agosto. E falou do esforço em firmar acordos comerciais para “modernizar” a Marinha brasileira.
O repórter da BBC Mundo Arturo Wallace, que acompanhou o discurso e a entrevista do chanceler nesta terça, relata que Hague parabenizou o Brasil e a presidente eleita Dilma Rousseff pelas recentes eleições, citou o Bolsa Família entre um dos “modelos” de política social implementados na região e disse que há espaço para cooperação entre Brasil e Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos (Londres será a sede em 2012; o Rio de Janeiro, em 2016).
Em entrevista em julho, Hague havia incluído o Brasil entre as prioridades do novo governo britânico em política externa, alegando que a Grã-Bretanha precisa aumentar “sua influência e seu alcance global” num momento em que “o poder econômico e as oportunidades econômicas estão se movendo para os países do Leste e do Sul”.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A responsabilidade no colo dos outros
É incrível como as pessoas adoram jogar a responsabilidade pra cima dos outros. Se for pra cima do Estado, então, melhor ainda, porque se eximem por completo de qualquer participação, além de seguir a moda e o caminho mais fácil da "crítica pela crítica". Escrevo isso após ler um comentário de leitor(a) a uma reportagem do site correioweb.com sobre um acidente que ocorreu no feriado aqui no Distrito Federal (texto aqui). Para facilitar, o texto do comentário:
Há ainda a responsabilidade, ou a falta dela, de boa parte dos compradores brasileiros que ao invés de darem prioridade a itens de segurança (tais como airbag, abs e barras de proteção) preferem comprar carros pelados e gastar com rodas, banquinho em couro, sonzinho MP3 pra abrir o porta-malas na praia e executar o ouvido alheio com músicas de péssimo gosto. Só um aviso: esses carros continuam sendo carrinhos de plástico sem segurança. É assim que brasileiro entende de carro.
"carros sem qualidades nenhuma.... tudo a olho nu perante o governo, mas ela nao quer saber de nada a nao ser de ficar aparecendo em fotos do lado da louca e depravada da dilma... esse pais somente DEUS...."Percebam que o leitor joga a culpa de os carros não terem segurança no Governo. Mas, peraí, que eu saiba o Governo não fabrica carros, não há nenhuma "Autobrás" ou qualquer coisa que o valha. A responsabilidade é das montadoras que jogam no mercado brasileiro carros sem condição nenhuma de segurança. Palios, Unos, Gols, Corsas, Celtas, Prismas e afins são carroças sem a menor condição de uso em qualquer país com um mercado mais exigente, coisa que o mercado brasileiro não é. Aqui, ao invés de brigarmos por condições melhores nos carros, aceitamos estas tranqueiras 1.0 sem nenhum tipo de segurança que as montadoras oferecem. E olha que as grandes montadoras tiveram boa parte de seus lucros no período da crise de 2008/2009 garantidos pelo mercado brasileiro.
Há ainda a responsabilidade, ou a falta dela, de boa parte dos compradores brasileiros que ao invés de darem prioridade a itens de segurança (tais como airbag, abs e barras de proteção) preferem comprar carros pelados e gastar com rodas, banquinho em couro, sonzinho MP3 pra abrir o porta-malas na praia e executar o ouvido alheio com músicas de péssimo gosto. Só um aviso: esses carros continuam sendo carrinhos de plástico sem segurança. É assim que brasileiro entende de carro.
domingo, 14 de novembro de 2010
Leitura do momento: Soldados Cidadãos - Stephen E. Ambrose
Estou lendo Soldados Cidadäos, de Stephen E. Ambrose (Bertrand Brasil, 629 páginas). O livro traz relatos de soldados da Segunda Guerra Mundial sobre fatos passados logo após o Dia D até 7 de maio de 1945. Junto com "O Dia D", do mesmo autor, serviu de base para a série Band of Brothers, da HBO. Recomendo a leitura dos dois.Dia Nacional do Orgulho do Analfabetismo
Há uma máxima que eu sempre levo para os cursos que ministro na área de política e que diz que o Congresso é o espelho do povo. Que a representação é um extrato do todo que é a sociedade. O nosso Congresso Nacional não foge dessa realidade, seja por votos conscientes, ignorantes ou de protesto. Isso tudo se dá porque vivemos em uma democracia representativa: elegemos pessoas ou partidos que irão nos representar, escolhemos aqueles que melhor representam nossas ideias. Mas, há formas e formas de fazer esta representação.
Na última semana o senador Magno Malta, do PR do Espírito Santo , ao defender a candidatura do Tiririca (eleito deputado federal por São Paulo com mais 1,3 milhão de votos) que enfrenta um processo por suspeita de ser analfabeto, afirmou que irá propor uma mudança na Constituição retirando a proibição de analfabetos serem candidatos a cargos eletivos e que seu partido irá questionar o Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade dessa proibição (aqui o texto da Agência Senado). Segundo Magno Malta, Tiririca será o "representante dos analfabetos no Congresso". Afinal, argumenta o senador, há 10% de analfabetos entre a população brasileira e eles precisam ser representados no Congresso.
Ora, a representação tem limites. Em primeiro lugar, todos os parlamentares deveriam ser representantes dos analfabetos na medida em que deveriam lutar pelo fim do analfabetismo. Não é um analfabeto no Congresso que irá garantir esta representação. Segundo, quer dizer então que para ser parlamentar não precisa ser alfabetizado? Se para o mínimo dos cargos preenchidos por concurso é necessário comprovar, hoje em dia, pelo menos o nível básico de escolaridade para ser parlamentar a exigência deveria ser ainda maior. Mas, não, o que se pretende é incentivar o analfabetismo distorcendo os conceitos de democracia representativa, de representação.
Uma das condições primordiais para a conquista da cidadania é poder expressar-se e se fazer ser entendido no próprio idioma. Ou seja, ler e escrever de forma crítica é fundamental para que uma pessoa torne-se cidadão em seu próprio território. Atuar sobre os destinos do seu país, seja votando ou sendo votado em eleições livres e justas, deve ser visto como uma consequência de um processo de educação bem fundamentado e que assegure condições mínimas de expressão no próprio idioma (o ideal seriam condições totais e não apenas mínimas, mas levo em conta nossa realidade).
A proposta do senador Magno Malta vai contra tudo aquilo que a ONU diz sobre o desenvolvimento do Brasil: que só continuaremos crescendo se investirmos pesado em educação. Vai contra tudo aquilo que o senador Cristovam Buarque prega que é a necessidade extrema de se olhar pela educação no nosso país. A proposta do senador Magno Malta estimula o analfabetismo, diz, em outras palavras que o cidadão não precisa buscar uma boa formação, uma boa educação, crescer pelo que é e não pelo que tem. Em última instância, o PR presta um desserviço ao país. Será uma lástima se este tipo de proposta prosperar no Congresso Nacional. O próximo passo será criar o "Dia Nacional do Orgulho do Analfabetismo".
Na última semana o senador Magno Malta, do PR do Espírito Santo , ao defender a candidatura do Tiririca (eleito deputado federal por São Paulo com mais 1,3 milhão de votos) que enfrenta um processo por suspeita de ser analfabeto, afirmou que irá propor uma mudança na Constituição retirando a proibição de analfabetos serem candidatos a cargos eletivos e que seu partido irá questionar o Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade dessa proibição (aqui o texto da Agência Senado). Segundo Magno Malta, Tiririca será o "representante dos analfabetos no Congresso". Afinal, argumenta o senador, há 10% de analfabetos entre a população brasileira e eles precisam ser representados no Congresso.
Ora, a representação tem limites. Em primeiro lugar, todos os parlamentares deveriam ser representantes dos analfabetos na medida em que deveriam lutar pelo fim do analfabetismo. Não é um analfabeto no Congresso que irá garantir esta representação. Segundo, quer dizer então que para ser parlamentar não precisa ser alfabetizado? Se para o mínimo dos cargos preenchidos por concurso é necessário comprovar, hoje em dia, pelo menos o nível básico de escolaridade para ser parlamentar a exigência deveria ser ainda maior. Mas, não, o que se pretende é incentivar o analfabetismo distorcendo os conceitos de democracia representativa, de representação.
Uma das condições primordiais para a conquista da cidadania é poder expressar-se e se fazer ser entendido no próprio idioma. Ou seja, ler e escrever de forma crítica é fundamental para que uma pessoa torne-se cidadão em seu próprio território. Atuar sobre os destinos do seu país, seja votando ou sendo votado em eleições livres e justas, deve ser visto como uma consequência de um processo de educação bem fundamentado e que assegure condições mínimas de expressão no próprio idioma (o ideal seriam condições totais e não apenas mínimas, mas levo em conta nossa realidade).
A proposta do senador Magno Malta vai contra tudo aquilo que a ONU diz sobre o desenvolvimento do Brasil: que só continuaremos crescendo se investirmos pesado em educação. Vai contra tudo aquilo que o senador Cristovam Buarque prega que é a necessidade extrema de se olhar pela educação no nosso país. A proposta do senador Magno Malta estimula o analfabetismo, diz, em outras palavras que o cidadão não precisa buscar uma boa formação, uma boa educação, crescer pelo que é e não pelo que tem. Em última instância, o PR presta um desserviço ao país. Será uma lástima se este tipo de proposta prosperar no Congresso Nacional. O próximo passo será criar o "Dia Nacional do Orgulho do Analfabetismo".
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Não gosto de colocar coisas pessoais aqui no blog. Mas vou abrir uma exceção.
Depois de passado o susto e resolvidas as questões burocráticas é hora de sentar e tentar entender o que aconteceu conosco na tarde da última terça-feira, dia 12, dia das crianças. Salvos por um cachorro? Não sei. Acho que não. Prefiro acreditar em um intervenção divina, um milagre mesmo que poupou oito vidas daquilo que por segundo se desenhou como uma tragédia certa e inevitável. Só assim para entender como eu estou aqui escrevendo este post, como Sarah e Elisa estão normalmente na escola, como a Joana segue seus estudos normalmente e como nossos amigos ainda estão presentes em nossas vidas. Tudo isso ainda está assim por uma questão de segundos, pela perícia e o reflexo de um motorista de uma carreta e pela presença de algo superior, forte, que chamo de Deus. Só por isso.
Eram cerca de quatro da tarde do último dia doze, voltávamos do feriadão após alguns dias em um hotel fazenda. Eu, Joana, Sarah e Elisa e nossos amigos Roberto e Adriana com suas filhas Carol e Letícia. De repente, há mais ou menos 250 quilômetros de Brasília na BR 050, um cachorro atravessa a pista. Não tive tempo de freiar nem de desviar. Atropelei o bicho e o matei na hora. Apenas vi peças do meu carro voando e me assustei com o que poderia ter acontecido. Logo à frente parei no acostamento para verificar o estrago. Nossos amigos pararam atrás para também ver o que tinha acontecido. Descemos do carro e as mulheres e as meninas ficaram. Foram poucos segundos até que tudo acontecesse...
Um maldito motorista de um Golf preto de Brasília resolveu forçar uma ultrapassagem sobre duas carretas em uma curva. Dito e feito!!! No que ele estava entre os dois caminhões apontou um terceiro em sentido contrário... Não daria tempo pra ele terminar a ultrapassagem e jogou o carro para entre as duas carretas que iam no mesmo sentido. Uma delas, a de trás, abriu espaço e foi para o acostamento. O Golf voltou, mas a carreta não teve tempo de desviar de nossos carros... Ainda assim, a perícia e o reflexo do motorista conseguiram evitar que o choque fosse em cheio da traseira do carro de nossos amigos. Pegou de raspão, com uma roda da carreta que estava suspensa. O suficiente, ainda assim, para estourar a traseira e a lateral do Citroen Picasso e jogá-lo para cima do meu 307. O estrago no meu carro não foi grande (os dois parachoques e alguns amassados atrás), já o dos nossos amigos não tem conserto. Foi perda total mesmo. De alguma maneira o meu carro evitou que o dele descesse o barranco e capotasse. Eu só ouvi o estouro e o carro dele voando pra cima do meu, o para-choque traseiro do Citroen decolou e parou metros à frente do meu carro. Quando vi, só pensei na Joana e nas minhas filhas. Uma sensação horrível... uma sensação de perda inevitável, mas que graças a Deus não foi o que aconteceu. Estavam, e estão, todas bem...
No entanto, o impressionante de tudo isso é que de oito pessoas que estavam nos dois carros ninguém se feriu. Nascemos de novo!!! Perto do que poderia, e seria mais provável, ter acontecido é só isso que conseguimos pensar. A única hipótese para este acidente não ter se transformado em uma tragédia foi a que acabou acontecendo. Tudo apontava para uma tragédia. Quando pensamos nas possibilidades custamos acreditar no que de fato ocorreu. Não achamos outra explicação... não foi sorte, não foi apenas a perícia de um motorista, chamado Gilson, de uma carreta com 40 mil quilos incluindo a carga... Foi alguma coisa a mais e que prefiro chamar de Deus. Quem passa por isso, dificilmente sai cético ou incrédulo, mas admite que há algo superior e que nós não estamos no controle de tudo.
Eram cerca de quatro da tarde do último dia doze, voltávamos do feriadão após alguns dias em um hotel fazenda. Eu, Joana, Sarah e Elisa e nossos amigos Roberto e Adriana com suas filhas Carol e Letícia. De repente, há mais ou menos 250 quilômetros de Brasília na BR 050, um cachorro atravessa a pista. Não tive tempo de freiar nem de desviar. Atropelei o bicho e o matei na hora. Apenas vi peças do meu carro voando e me assustei com o que poderia ter acontecido. Logo à frente parei no acostamento para verificar o estrago. Nossos amigos pararam atrás para também ver o que tinha acontecido. Descemos do carro e as mulheres e as meninas ficaram. Foram poucos segundos até que tudo acontecesse...
Um maldito motorista de um Golf preto de Brasília resolveu forçar uma ultrapassagem sobre duas carretas em uma curva. Dito e feito!!! No que ele estava entre os dois caminhões apontou um terceiro em sentido contrário... Não daria tempo pra ele terminar a ultrapassagem e jogou o carro para entre as duas carretas que iam no mesmo sentido. Uma delas, a de trás, abriu espaço e foi para o acostamento. O Golf voltou, mas a carreta não teve tempo de desviar de nossos carros... Ainda assim, a perícia e o reflexo do motorista conseguiram evitar que o choque fosse em cheio da traseira do carro de nossos amigos. Pegou de raspão, com uma roda da carreta que estava suspensa. O suficiente, ainda assim, para estourar a traseira e a lateral do Citroen Picasso e jogá-lo para cima do meu 307. O estrago no meu carro não foi grande (os dois parachoques e alguns amassados atrás), já o dos nossos amigos não tem conserto. Foi perda total mesmo. De alguma maneira o meu carro evitou que o dele descesse o barranco e capotasse. Eu só ouvi o estouro e o carro dele voando pra cima do meu, o para-choque traseiro do Citroen decolou e parou metros à frente do meu carro. Quando vi, só pensei na Joana e nas minhas filhas. Uma sensação horrível... uma sensação de perda inevitável, mas que graças a Deus não foi o que aconteceu. Estavam, e estão, todas bem...
No entanto, o impressionante de tudo isso é que de oito pessoas que estavam nos dois carros ninguém se feriu. Nascemos de novo!!! Perto do que poderia, e seria mais provável, ter acontecido é só isso que conseguimos pensar. A única hipótese para este acidente não ter se transformado em uma tragédia foi a que acabou acontecendo. Tudo apontava para uma tragédia. Quando pensamos nas possibilidades custamos acreditar no que de fato ocorreu. Não achamos outra explicação... não foi sorte, não foi apenas a perícia de um motorista, chamado Gilson, de uma carreta com 40 mil quilos incluindo a carga... Foi alguma coisa a mais e que prefiro chamar de Deus. Quem passa por isso, dificilmente sai cético ou incrédulo, mas admite que há algo superior e que nós não estamos no controle de tudo.
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